Repousava, à sombra de uma árvore no campo, um velho careca. O sol batia manso e uma mosca insistente não parava de pousar em sua calva, irritando-o.
O velho tentava espantá-la com a mão, várias vezes, mas a mosca fugia ligeira e parecia até se divertir com as tentativas falhas. Ele dava uma palma, outra, e mais outra, enquanto a mosca pousava de novo, provocando um riso quase malandro.

Essa história é profunda
A cena é simples, mas carrega uma essência humana: repetimos ações na esperança de resolver algo, mesmo quando a solução parece distante. O velho sabia que, por mais que bata no ar, aquilo não o matava — apenas o incomodava. E a mosca, por sua vez, parecia aproveitar cada falha como um espetáculo.
Em um tom meio brincalhão, meio sério, o velho falou: “Podes rir à vontade, mosca. Quantas vezes eu me der em mim muitas palmadas, isso não me mata; mas se uma vez te acertar, não terás mais chance de me importunar.” Foi uma frase firme, quase um aviso, mais simbólico do que vingativo.
Traduzindo para a vida: muitas vezes subestimamos quem age com seriedade, e quem zomba até pode sorrir por um tempo. Mas a vida tem um jeito próprio de equilibrar as coisas. Não se trata de castigo, e sim de consequência. As pessoas que ridicularizam os outros podem, mais cedo ou mais tarde, ver suas próprias fraquezas expostas — e aí perdem a vantagem do riso fácil.
É uma reflexão diária que necessitamos
A mosca, claro, é só uma metáfora. Representa aqueles incômodos pequenos e persistentes que teimam em aparecer. O velho representa a paciência e a experiência de quem já viveu o suficiente para saber esperar. A mão que bate no próprio rosto simboliza a frustração: reagimos, repetimos gestos e, muitas vezes, só aprendemos quando a situação se resolve de vez — ou quando a consequência natural acontece.
Uma lição importante daqui é que paciência não é inércia. Esperar com calma não é o mesmo que aceitar passivamente tudo. O velho tentava em vaias tentativas resolver o problema, sim, mas sem se desesperar. Ele sabia que, se persistisse com serenidade, poderia agir no momento certo. A paciência dá perspectiva; a pressa, às vezes, só aumenta a bagunça.
Outro ponto: humilhar alguém à toa é um risco emocional. Aquele que zomba cria uma falsa sensação de superioridade — até que a própria vulnerabilidade venha à tona. Quando isso acontece, não há fama de graça que resista; resta apenas aceitar e aprender. Por isso, é mais sábio cultivar empatia e moderação em vez de rir da desgraça alheia.
No campo das relações pessoais e profissionais, essa história também se aplica. Em equipes, por exemplo, quem ridiculariza ideias alheias pode ser o primeiro a perder a confiança do grupo quando as coisas apertam. A credibilidade é construída com atos repetidos de responsabilidade, e destruída rapidamente por atitudes de deboche.
E tem outra: responsabilizar não é o mesmo que punir. Quando falamos que “quem zomba é castigado”, nossa intenção aqui é diferente — queremos dizer que as consequências naturais aparecem. Erros se mostram, escolhas se revelam. A vida costuma ajustar a balança; quem age com humildade e constância tende a ficar em pé quando a tempestade passa.
Voltando ao velho e à mosca: a beleza da cena é a simplicidade do aprendizado. Não foi necessário um grande confronto, nem palavras duras. Só uma observação tranquila e um gesto contido. Às vezes, é justamente essa calma que dá mais força ao que se quer dizer.
Se levarmos essa história para o cotidiano, podemos extrair duas recomendações práticas: primeiro, cultive a paciência. Ela permite ver o quadro inteiro antes de agir. Segundo, cuide da sua postura diante dos outros — um sorriso às custas de alguém pode sair caro no futuro. Melhor investir em respeito do que em zombaria.
A história do velho e da mosca nos lembra de que nem sempre é preciso “acertar” para vencer; basta persistir com dignidade e esperar o momento certo. A mosca pode voar agora, mas é a calma do velho que ganha a cena. E, quando a verdade aparece, costuma mostrar quem realmente agiu com sabedoria.
